Quando me perguntam se é perigoso andar de Uber, prontamente eu respondo que não, mas a verdade é que sempre fica a dúvida. Confesso que entrar no carro e ver uma mulher no volante é sempre um alívio para mim. Foi essa sensação que tive ao pegar uma carona com a Fabiene Vargas de Oliveira, aqui em Bauru.

A conversa fluiu durante todo o percurso e, foi assim, que descobri que Fabiene encontrou, na plataforma de caronas compartilhadas, a solução para o desemprego. “Minha irmã é Uber em Sorocaba e há dois meses fiquei desempregada, então deu certinho, porque a Uber chegou em Bauru e eu fiz todo o procedimento para entrar”, conta.

E se, para algumas pessoas, como eu, é um conforto ser conduzida por uma mulher, para muitos é uma surpresa. “As pessoas se espantam quando veem uma mulher no volante! Até mesmo as próprias mulheres: ‘Nossa, tem motorista mulher também?’; ‘É a primeira mulher que eu pego fazendo Uber!'”, conta a bauruense Francine Esqueda, Uber há dois meses.

Mulheres na Uber Bauru

Além de Fabiene e Francine, outras 13 mulheres decidiram embarcar na corrida pelo trabalho e pela renda extra por meio do aplicativo e, apesar das ferramentas de segurança, ainda enfrentam algumas barreiras. As motoristas contam os receios em relação à profissão. “Minha dificuldade em ser mulher é não poder trabalhar à noite. Eu acho perigoso, então encerro assim que escurece”, Tayenne Germano Orlandi.

Para Francine Esqueda, “existe sim um perigo maior em volta de nós mulheres. Horários, lugares e situações. É preciso ser cautelosa e rápida para não cair em ciladas, além de comentários inoportunos e sem senso nenhum, principalmente nos fins de semana depois das baladas. Já sabendo disso, eu busco fazer rotas mais tranquilas, evito alguns caminhos, procuro cortar certos assuntos e me impor com seriedade e educação”, diz.

Benefícios para as profissionais

Apesar disso, as motoristas contam que os pontos positivos são inúmeros, “decidi trabalhar na Uber para complementar minha renda de aposentada e estou adorando. Eu faço o meu horário e tenho contato com infinitas histórias”, conta Ivana Maria Gimenes, há um mês no novo trabalho. Para Gislaine Daniele Branco, os benefícios são “a independência financeira, além da flexibilidade de horário. Eu estava desempregada há dois anos e já completei 400 viagens na Uber”, completa.

Se você acha que deve ser difícil dirigir pelas ruas de Bauru o dia todo, está enganado, a Tabata Rosa diz que o trabalho é muito movimentado. “Tem muita rotatividade de pessoas, então você não vê a hora passar, porque conversa com muitas pessoas”, explica.

Com tantos bauruenses indo e vindo, fica fácil achar uma história marcante por aí. Por isso, perguntamos para as entrevistadas se elas já passaram por algum episódio inusitado enquanto trabalhavam como Uber e, como resposta, recebemos algumas aventuras!

Aconteceu na Uber

“A mais engraçada e que eu não esqueço foi de uma corrida que apareceu com a notificação de haveria duração acima de 45 minutos. Isso era 23h30. Como estava com o nome de um homem e pelo horário fiquei intrigada e mandei mensagem pra saber qual o destino, porém, a pessoa não respondia. Vi que o local para buscar o passageiro era movimentado e tranquilo, fui até lá pra verificar. Nesse momento, compartilhei minha localização em tempo real com um amigo caso acontecesse alguma coisa. Cheguei no local e eram quatro homens que estavam um pouco alterados. Eles entraram no carro e disseram que estavam envergonhados por ser uma mulher, eu respondi ‘e eu estou com medo’ e perguntei para onde eles queriam ir. Rindo, eles disseram que queriam ir pro cabaré, eu dei um ‘ufaa’ de alívio e muita risada. Logo descobri que, como estavam embriagados, colocaram cabaré e não repararam no endereço, indicando Manaus. Foi mais risada ainda, pois eles falaram que estavam há algum tempo tentando pedir carro e eu era a única pessoa que tinha aceitado ‘ir pra Manaus’. No fim, eles me deram uma boa gorjeta.” – Camila Daiany Siqueira.

“Peguei três americanas que não falavam uma só palavra em português. Então eu usei o Google Tradutor para me ajudar e foi só risada.” – Fabiene Vargas de oliveira.

“Tem algumas viagens que a gente não esquece. Uma das primeiras que eu fiz, eu cheguei no local para pegar a pessoa e era uma professora que estava com a coluna travada e com o pescoço duro. Ela ficou muito feliz de ver que a motorista era mulher. Eu desci do carro, ajudei ela entrar, fiz o percurso bem devagar e ficamos amigas de infância da casa dela, na Vila Falcão até a Beneficiência Portuguesa.” – Selma Rego.

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